ter. set 27th, 2022

Diretor – Naoki Sugiura

Diretor presidente da corretora de seguros LEADLE Co., Ltd.
Corretor de seguros e de títulos,consultor de investimentos financeiros com as licenças de Financial Planner e Corretagem de Titulos.

2018: Lançado o Project Integra e promoveu vários seminários de assuntos especializados voltado a residentes nipo brasileiros. Tornou-se palestrante famoso na comunidade nipo brasileira.
Atualmente com a página web “www.aloshigoto.com” anuncia ofertas de empregos com o objetivo de promover a contratação de estrangeiros residentes, principalmente no setor de construção civil.

2019: Residentes nipo-brasileiros se reuniram no Centro Cultural Chiryu City em maio onde co-patrocinou um evento de palestra “Expo Talk Japan” que reuniu mais de 1000 pessoas. Recebeu o convite para palestrar na 2a. Feira de Educação do Consulado-Geral do Brasil em Nagoya, em dezembro.
Seguidamente foi publicado uma entrevista e matéria especial na revista de política e negócios “The Winners” do Brasil.

2020: Chamando a atenção da Embaixada do Brasil no Japão pelos propósitos em desenvolver a integração pelo Projeto Integra, iniciou um novo projeto na tentativa de abrir oportunidades de empregos na região sul do Japão, principalmente na província de Miyazaki. Pequenas e médias empresas e governos fora da Província de Aichi estão começando a ter grande interesse na contratação de nikkeis e suas famílias.

Organiza vários seminários todos os meses para diretores e empresários do Japão com o objetivo de promover a contratação direta de estrangeiros.

Temas abordados nos seminários:

・ O emprego do tipo criação e desenvolvimento (emprego profissionalizante) e seu impacto no futuro das pequenas
  e médias empresas
・ Desenvolvimento do capital humano para resolver a recente escassez de mão de obra.
・ A importância do desenvolvimento do capital humano para a prevenção de acidentes no trabalho.
・ Resolvendo a escassez de mão de obra e o envelhecimento da equipe na empresa.
・ A visão de como utilizar recursos humanos estrangeiros.
・ O próximo passo para resolver a escassez de mão de obra.
・ O futuro dentro de 5 anos partindo do organograma.
・ Utilização de recursos humanos estrangeiros e as escolhas da empresa.

Entrevista com Naoki Sugiura

Como surgiu a idéia do Projeto Integra?

A idéia do Projeto Integra surgiu da experiência como trabalhador e empresário do brasileiro Cláudio Akiyama.

Através dele tomei conhecimentos da realidade dos brasileiros que trabalham como funcionários temporários (Haken Shain), da sua situação de fragilidade. Que por exemplo, quando perdem o emprego, os filhos correm o perigo de abandonar a escola, em razão dos pais ficarem sem recurso financeiro. E as oportunidades dos que buscam a recolocação no mercado de trabalho diminui drasticamente após quarenta e cinco anos de idade, que compromete também a aposentadoria.

Por quais motivos?

As empresas japonesas em sua maioria grandes corporações que contratam os estrangeiros (trabalhadores temporários/terceirizados – Haken Shain). Essas empresas contam com os trabalhadores estrangeiros (em especial), os brasileiros e hispanoamericanos como alternativa para ajustar os custos de acordo com as demandas.

Passaram-se trinta anos (30 anos) e os trabalhadores por contratos tempórários (Haken Shain), não conseguiram obter crescimento do capital humano. Havendo muitos casos de trabalhadores acima de 40 anos sendo descartados por queda de produtividade e sendo considerados como recursos humanos descartáveis.

Quais as principais dificuldades dos profissionais brasileiros no Japão?

A grande maioria das empresas japonesas não exigem dos trabalhadores brasileiros, nível de qualificação profissional ou especialistas no mercado de trabalho. Por isso são raros as oportunidades para se obter qualificação profissional. Por outro lado, temos a exigência rigorosa por parte dos japoneses, no tocante àquelas pessoas qualificadas, sendo esse uma das causas da dificuldade no trabalho. Outro fator que difere entre os valores culturais dos países são etiqueta e regras. Essas diferenças tem dificultado a compreensão e comunicação entre japoneses e estrangeiros. Cito como exemplo: não comer andando na rua, cuspir na frente das pessoas; isso não são regras e sim, etiqueta. Temos como exemplo de regras: Não jogar bitucas de cigarro ou, lixo na rua. E ainda existe outra questão, quando se trata dos estrangeiros e japoneses. Naturalmente, os japoneses costumam tratar os turistas com generosidade mas quando se trata quem veio para trabalhar e é seu vizinho, a exigência se torna embaraçosa entre ambos. São exemplos como esses, que tem sido a barreira invisível entre os japoneses e os trabalhadores estrangeiros. 

O Projeto já apresenta resultados práticos? Quais?

Sim. Temos realizado seminários educativos para brasileiros, informando a opção de ser contratados como funcionário efetivo (SeiShain) que ao contrário de trabalhadores temporários/terceirizados (HakenShain), cada trabalhador é valorizado como capital humano (aumento salarial proporcionalmente aos lucros da empresa).

Também temos realizado seminários voltados para as empresas japonesas objetivando o entendimento sobre como a empresa deve enxergar o trabalhador estrangeiro como capital humano inserido na empresa. Como resultados práticos, em menos de 1 ano já alcançamos 20 empresas e mais de 40 trabalhadores participando desse processo no Projeto Integra. No processo de empregabilidade em que os empresários japoneses entrevistam pessoalmente os brasileiros e efetuam avaliações considerando os seguintes quesitos: carácter, habilidade e capacidade. 

Qual o papel do Projeto Alo Shigoto?

Num cenário de baixa natalidade e envelhecimento rápido da população, pela primeira vez na história do movimento dekassegui, estamos criando estruturas para que as empresas japonesas, com falta de trabalhadores, considerem os estrangeiros que aceitam os desafios do emprego com carreira como recurso humano valioso, ou seja, como capital humano que contribui para o avanço da empresa de maneira concreta, para as empresas oferemos consultoria sobre a Implantação do sistema de avaliações das habilidades, capacidade e experiências e conselhos sobre a reforma do sistema de remunerações. 

Para os trabalhadores, oferecemos orientações sobre a participação no projeto, informações sobre as condições oferecidas pelo empregador, assessorias para a elaboração de currículo e histórico profissional em idioma japonês, dicas sobre comportamentos na entrevista, acompanhamento na entrevista em caso da dificuldade no idioma, etc., e assim servindo de ponte entre as partes.

Quais os meios de comunicação aos quais, os trabalhadores brasileiros no Japão conseguem acessar?

Nossa página na Web: https://www.projetointegra.org/ e o Portal de Empregos diretos e efetivos Alo Shigoto: https://aloshigoto.jp/  Estamos também nas redes sociais Facebook e Instagram, na organização de seminários, participando em eventos educacionais do consulado brasileiro, em outros eventos da comunidade brasileira, palestras em escolas públicas brasileira e japonesa, encontros com políticos, autoridades locais e também em grupos comunitários. Uma infinidade de meios para se comunicar e é só buscar que encontrarão o que melhor se adequa.

Como as empresas japonesas, avaliam os trabalhadores brasileiros nesse momento?

Como trabalhadores descartáveis a maioria das empresas japonesas tratam os trabalhadores estrangeiros (chineses, vietnamitas, filipinos e brasileiros), independentemente da nacionalidade, como custo de mão de obra ajustados por demanda, considerando que voltarão aos seus países de origem em três ou quatro anos. Portanto, não houve uma avaliação se quer, se essa situação poderia perdurar por trinta anos. Assim, não houve nenhuma avaliação durante esses trinta anos. No entanto, se daqui em diante reconhecer o imigrante estrangeiro como recursos humanos talentosos, que fazem parte do mercado consumidor no Japão, a visão de um simples trabalhador muda, surgindo novas perspectivas.

Na sua avaliação, falta comunicação ou, diálogo entre os dois governos em prol dos brasileiros que trabalham no Japão?

Há uma falta de comunicação entre os governos dos dois países nas questões de vistos atrelados a condições realistas de trabalho e questões de seguridade social, etc.,

Acredito que o mais importante de todos é a necessidade da discussão com empresas japonesas. A menos que as empresas japonesas não aumentem a conscientização de aceitar os trabalhadores brasileiros como recursos humanos possíveis de aumentar o valor do capital humano, a sociedade não resolverá o problema do emprego de trabalhadores estrangeiros. 

O Japão pode se beneficiar em termos econômicos, em grande escala, mas está atrasado em termos de política do emprego de estrangeiros e de imigração. Eu acredito que há muito a aprender com o Brasil, historicamente um país que sempre acolheu imigrantes. Especialmente, na comunicação e isso tem a ver em corrigir o senso de distância.

Explico:

1- A distância geográfica (o tempo de viagem entre Brasil e Japão)

2 – Distância econômica. (Relações comerciais e intercâmbio econômico)

3 – Distância política (elevar o nível de amizade entre os dois países)

4 – A sensação da distância mental (para se tornar amigos e até família)

O Japão está longe de qualquer outro país se tratando desses 4 tópicos mencionados.

Porque o Japão é um país insular (shimaguni). No entanto, os tempos mudaram e a sensação de distância se tornou menor. Os brasileiros que moram aqui são melhores nesse sentido. Eu sinto que os japoneses precisam aprender com essas informações. 

Acredito ainda, que o nosso papel através das nossas atividades não é por acaso. Já demos os primeiros passos muito importante. Estamos quebrando paradigmas, seguindo em frente. Isso após trinta anos de presenca de trabalhadores brasileiros no Japão.